Ainda hoje me lembro do momento correspondente com uma perfeição palpável. Uma das personagens – para ser preciso “A” personagem: que nada mais é do que um artificie de máscaras de cartão. A maior das suas habilidades é martirizar aqueles que o rodeiam, com um imutável tópico. É a ave rara que circunda a vítima, confundindo-a para lhe desferir um voo picado de diminutivos esbatidos e recalcados. Os ataques deste espécime são, no entanto, tão eficazes como os ímanes para frigoríficos.
Retomando o assunto o dilema era então o par de Ténis. Do que atrás disse “A” personagem, tem um talento peculiar para o exagero, de enfatizar o mundano. Todavia, esta foi a mais coerente dos seus relatos. Sendo uma ave de destreza lancinante, nos minutos subsequentes à ocorrência, confessou:
“quer comprar uns ténis esquisitos ” – esquisitos no contexto significa uns ténis brancos com umas tiras às cores removíveis.
“olhou a montra e disse: olha vou comprar aqueles ténis. E eu – são para a tua mulher? E ele: não, são para mim”
A seguir a esta frase “A” personagem e a minha pessoa não nos contivemos, isto é, com uma pincelada sóbria esboçamos cada um rasgado sorriso, adornada por uma sonora gargalhada. Os dias seguintes levaram às costas esse ponto de interrogação: iria ele comprar ou não os Ténis-Das-Riscas-Coloridas-Que-Não-Eram-Para-A-Mulher-Mas-Sim-Para-Ele.
Não posso acrescentar nada mais sem antes falar desse outro interveniente, pois isso seria contornar a maior das rotundas. Chamemos-lhe o supra-sumo dos coleccionadores de revistas gratuitas. Por estes dias o seu ego é um ente saudável e corpulento que me faz lembrar o Travolta aquando da dança do hula-loop (?), todavia sem arco, sem brilhantina, mas sim com uma poupa pronunciada.
A mandar-se para a frente – (é favor compreender esta frase como uma verdadeira metáfora).
(Continua...)
Retomando o assunto o dilema era então o par de Ténis. Do que atrás disse “A” personagem, tem um talento peculiar para o exagero, de enfatizar o mundano. Todavia, esta foi a mais coerente dos seus relatos. Sendo uma ave de destreza lancinante, nos minutos subsequentes à ocorrência, confessou:
“quer comprar uns ténis esquisitos ” – esquisitos no contexto significa uns ténis brancos com umas tiras às cores removíveis.
“olhou a montra e disse: olha vou comprar aqueles ténis. E eu – são para a tua mulher? E ele: não, são para mim”
A seguir a esta frase “A” personagem e a minha pessoa não nos contivemos, isto é, com uma pincelada sóbria esboçamos cada um rasgado sorriso, adornada por uma sonora gargalhada. Os dias seguintes levaram às costas esse ponto de interrogação: iria ele comprar ou não os Ténis-Das-Riscas-Coloridas-Que-Não-Eram-Para-A-Mulher-Mas-Sim-Para-Ele.
Não posso acrescentar nada mais sem antes falar desse outro interveniente, pois isso seria contornar a maior das rotundas. Chamemos-lhe o supra-sumo dos coleccionadores de revistas gratuitas. Por estes dias o seu ego é um ente saudável e corpulento que me faz lembrar o Travolta aquando da dança do hula-loop (?), todavia sem arco, sem brilhantina, mas sim com uma poupa pronunciada.
A mandar-se para a frente – (é favor compreender esta frase como uma verdadeira metáfora).
(Continua...)
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