segunda-feira, agosto 06, 2007

Procura-se (M/F)

Como sempre a revista Maria traz momentos do mais puro prazer literário nas suas folhas, coisas de um realismo inebriante. Vejamos o seguinte caso:

Cá está. Alguém, por favor, coloque este jovem nas mais altas instâncias do governo. Quem, como ele, consegue arranjar uma solução tão brilhante (ainda que, afinal de contas, seja óbvia) para um problema milenar como a indefinição sexual, consegue certamente arranjar soluções para problemas mais básicos como o défice ou a ruptura da segurança social.
Onde encontrá-la? Isso agora já é um problema, pois aparentemente os hermafroditas não pululam aí pelos verdejantes campos do nosso Portugal. Mas eu tenho uma dica para ti. Apanhas o Metro e sais no Campo Grande, depois olhas em frente e vês uma cena esverdeada com uns azulejos manhosos, aí à volta és capaz de encontrar uns quantos. Força rapaz, Portugal torce por ti. É de mentes iluminadas que este país precisa.
Isto é uma coisa tipicamente portuguesa: para quê se dar ao trabalho de tomar uma decisão (ou descobrir algo) se podemos ter algo que reúna as duas vertentes que nos estão a dividir? És grande.
O outro grande momento da semana foi a declaração de Sir (Dame?) Elton John na qual ele sugeria que se deveria “fechar” a Internet durante cinco anos, para ver que música saía dali. Fechar a Internet é complicado, porque acho que a contínua que tinha a chave foi a casa dar o almoço aos gaiatos. Tudo porque o álbum do Shor John só vendeu cem mil cópias. Esses piratas informáticos são uns viciados em Elton John, é vê-los a sacar cópias ilegais do Windows Vista enquanto ouvem “I’m Still Standing” em MP3. Depois Elton ainda diz que as pessoas deviam ir para a rua e protestar em vez de ficar em casa e escrever nos blogs. Estou com ele. Esses totós que andam para aí a escrever em blogs (ainda por cima às vezes escrevem em mais de um, essa escória) são uma tristeza, é preciso não ter mesmo vida para escrever num blog. É que vou já largar a escrita e vou já marchar e protestar a favor do pobrezinho do Shor Elton John. Ele vive no limiar da pobreza, ele é praticamente somali. Alguém leve uma sopinha ao rapaz. E um hermafrodita.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Silly Season

O Povo falou. Com uma votação quase tão grande como a das eleições para a Câmara de Lisboa, o povo elegeu a perca de Filipa Sabrosa como a mais importante consequência da ida de Simão para o Atlético de Madrid. Agora pergunto-me, terão sido os seus ex-colegas a votar? Ouve-se sempre falar de histórias assim, envolvendo jogadores (agora ia dizer “como o Secretário” mas o nome “Secretário” e a profissão “jogador de futebol” não cabem na mesma frase, facto confirmado por Edite Estrela no seu último livro “Gramática do Futebolês e Afins”) como o Sokota e o João Pinto. Seja porque razão for, a votação foi idónea.
Aparentemente Simão já está a receber o que merece: cotoveladas na cara. Foi agredido no jogo contra o Ajax, por um jogador claramente Benfiquista desde pequenino. Ele que se habitue porque há Benfiquistas em todo o lado.
Queria dar uma palavra de apreço ao Sr. Jurista, desaparecido em combate, a mãos com exames da ordem e coisas que tais, pela coragem em ter posto os tesourinhos deprimentes do seu clube. E que deprimentes eles foram. Eu, que até abomino tudo o que caminha de verde, até fiquei entristecido por aqueles “jogadores”. Melhores dias virão, Sr. Jurista, melhores dias virão. E agora parece que o Sr. Jurista tem um arqui-rival de eleição, o auto denominado l’emerdeur. Só mostra a grandeza e importância do Sr. Jurista.
Ainda relativamente a assuntos aqui da casa, muita gente (uma pessoa, e acho que por engano) me perguntou do que é que eu sou Bastonário. E aqui, perante vocês, assumo que sou Bastonário da Ordem dos Bastonários. Sim, porque os Bastonários, apesar do seu aspecto de Deus grego e de uma inteligência ao nível de um Einstein, também precisam de apoios, e é para isso que estou aqui. Sempre às ordens.

segunda-feira, julho 30, 2007

Tesourinhos Deprimentes - Versão Sporting

Antes de mais considerar, o meu forte abraço ao Sr. Bastonário pela lamentável perda no seu clube. Sei de fonte segura que o Sr. Bastonário anda triste com a ida de simulão para o atlético. Mas não temei. chegou ADU. FREDDY ADU. E sempre continuam lá com a Maria Amélia.
Quanto à chegada do freddy, gostei do aparato, mas estranha-se um eterno prodígio que continuava a jogar na liga norte-americana, e tinha o seu passe fixado na maravilhosa soma de 2 milhões de euros. A ver vamos. Parece-me que o beto foi vendido por mais. O Sr. e o Sr. cá estarão para ver o que vale o jovem, nas nossas divagações futebolisticas.
Por falar em divagações fulebolisticas, e apesar de me custar muito, venho apresentar a terceira e ultima parte dos tesourinhos deprimentes dos trés grandes, desta vez do grandioso Sporting Clube de Portugal. Apesar de vários icones do futebol terem deslumbrado em Alvalade, a verdade dura é que houve, digamos que alguns, que não tiveram a mesma sorte, mas segundo consta, apesar de não terem muito jeito para a bola, eram bons rapazes e, apesar de tudo, ficaram a conhecer os encantos de Lisboa, para mais tarde recordar.
Deixem lá as conversas sobre se o Adu é bom ou não, se o cardozo é matador, ou quantos golos o levezinho vai enfiar nas redes dos adversários. Vamos mas é á raiz do problema, e sem mais considerações, aqui fica uma bela equipa de leões "Old School", a que carinhosamente apelidei de "Leõezinhos da Portela"(pois é vé-los a ir e a regressar tão rápido como o intervalo de descanso que o Nuno Gomes dá ao seu cabelo mediatamente após o ter penteado):

- BOSINOVSKY
- EDINHO
- SKURHAVY
- ROBERTO ASSIS (o irmão do que joga mesmo futebol)
- OUATARRA E SPEHAR(uii, que bela dupla de ataque!)
- GIL BAIANO
- MISSÉ-MISSÉ
- BALAJIC
- CESÁR RAMIREZ
- CARLOS MIGUEL
- KMET
- KRPAN
- ROBAINA
- HANUCH
- NILITZIS (imperdível)
- TINGA
- KOKE E MOTA (uii, que outra dupla mortifera)
- LABHARTE
- LANG (como é possivel alguém se esquecer deste icone?)

Até fico tonto com tanta variedade e qualidade de possíveis apanha-bolas e tratadores de relva! O sporting é que sabe contratá-los. Fica aqui, mais uma vez, o repto para os mais corajosos que queiram tentar advinhar em que posição jogaram estes jogadores. Eu sei, não é facil, pensam vocés, mas pensem que alguém está sempre em pior situação do que os prezados leitores. Pedro Mantorras, poe exemplo, jogador abnegado do Benfica, joga apenas com uma perna, e nem por isso deixa de correr e fazer vibrar o público!

Ramses II vira o jogo para Tutankhamon...

Bastante interessante o jogo de ontem do Sport Lisboa e Benfica. Pelo menos para arqueólogos, egiptólogos e outras profissões que tais. Não é todos os dias que se vêem dez múmias de cor-de-rosa e uma de preto a assombrar um campo de futebol, em pleno Cairo. Pois é, aquelas múmias arrastaram-se e gemeram pelo campo fora, para desespero de todos os adeptos. Bergessio mostrou pormenores, mas deu novamente a ideia de que correr rápido não é com ele. Corre, mas vamos lá com calma que isto das correrias faz mal ao coração e tal. Cardozo confirmou a boa impressão do primeiro jogo, mas deixou em desespero os senhores do jornal Record, ao não continuar com a sua impressionante média de um golo por jogo. Sendo que só tinha feito um jogo. Mas isso para os senhores do Record pouco interessa. Butt voltou a não convencer, e por favor, não o deixem marcar penalties. Depois o Nelson foi a desgraça habitual dos últimos tempos, ele que volte a mudar de penteado todos os dias, qual Catarina Furtado da ala direita, pode ser que ajude. Zoro voltou a confirmar a ideia de que é um armário (e daqueles pesados) com duas pernas, com especial apetência para a mutilação dos futebolistas adversários. Isso de jogar a bola fica para as tardes amenas de Outono, com o filho. Coentrão rima com “atira-se para o chão” e aqui está tudo dito.
E agora só falam no Adu. A Bola dizia anteontem que ele já vinha a caminho. A questão é: mas vem a caminho de que forma? A nado? Alguém andou a jogar Football Manager a mais…
Por acaso estou curioso por ver em acção Di Maria. Eu e o Nuno Gomes, que se queixava que não tinha ninguém para falar com ele sobre as notícias da Nova Gente e da Caras durante os jogos, assim como para ir às compras. Agora já tem a Maria e o equipamento cor-de-rosa, acho que vai ser um avançado mais feliz.
Gostei também da declaração de Fernando Santos sobre Diaz: “Não conheço”. Curioso, nós também não. É o elemento de surpresa. Os inimigos não o conhecem. Nós também não. Eu estou com a direcção do Benfica. O que é a vida sem um pouco de emoção?

quarta-feira, julho 25, 2007

Só Falta Um Na Caderneta

Afinal as armas que o Pasteleiro do Big Brother tinha em casa eram de colecção. É uma coisa natural. Afinal de contas, se formos ali para Chelas, Cova da Moura ou algumas zonas da Margem Sul, encontramos muitos adeptos do “coleccionismo”. É vê-los na rua, reunidos, a trocar armas, telemóveis, carros ou droga como quem troca cromos do Veloso porque o bigodes falhou uma grande penalidade contra o PSV. Nunca houve cromo que desvalorizasse mais do que o cromo do Veloso, deveria ser algo estudado nas aulas de economia, objecto de teses de mestrado e cenas assim. Um penalty. Onze metros de distância de uma baliza que tem, segundo a FIFA, para cima de muitos metros. Custava muito? Volto a perguntar, custava muito? Bola na rede, campeões europeus, está a andar. Mas não, não, o bigodes tinha de falhar e com isso levar à ruína muito boa caderneta desse Portugal. Agora tem um filho lagarto que é daquelas coisas que eu, mesmo com a cena do penalty, nunca lhe desejei nem sou capaz de desejar a ninguém. É só para verem como Deus está atento.
“Ena pá man, era mesmo um kilo de coca que me faltava na colecção!” é uma das frases mais ouvidas nesses locais. E depois ainda dizem que os jovens estão perdidos, que não têm rumo na vida. O coleccionismo é prova que ainda existem coisas a que os jovens se agarram. Tal como a droga. De qualquer forma, ter uma batelada de munições e armas em casa é perfeitamente normal, até porque ele é de Barcelos, e, parecendo que não, se passarmos a igreja e o café central o Iraque é logo ali e um gajo tem de se acautelar porque os telemóveis estão cada vez mais caros, não vá aparecer algum árabe armado em gandulo e tentar assaltar um trabalhador honesto como um pasteleiro. Se virem a TVI podem confirmar que acontece a toda a hora.
E depois temos os outros envolvidos no crime. Os anónimos, porque este era uma estrela. Big Bruno, chamam-lhe os jornais. Espero, por todos os santos e anjos e coisas afins que isto da religião nunca foi coisa a que eu prestasse muita atenção, que ele não vá para a prisão. Um gajo com a alcunha de “Big Bruno” não pode ter bom futuro na cadeia. Já as alcunhas dos amigos são autênticas obras de arte, reproduções frescas e actuais do Portugal interior. Ou isso ou podiam ser jogadores de futsal ou futebol de praia do Benfica. Matutano, Vítor da Feira, Carias, Engenheiro, Mirolho, Totobola e Tio Camilo, eis os principais arguidos deste caso. Dava uma bela equipa de futebol. Desde que não fosse o Engenheiro a treinar, obviamente. Até o Mirolho faria seguramente melhor serviço.

segunda-feira, julho 23, 2007

A Detenção do Pastel de Nata

A GNR deteve um ex-concorrente do Big Brother envolvido numa rede criminosa. Nada de surpreendente, embora isto tivesse sido facilmente evitado se, mal tivessem saído do Big Brother, os concorrentes tivessem sido logo encarcerados. Cinco minutos de visionamento do dito programa eram mais que suficientes para perceberem a minha sugestão. Desde atentados ao pudor até sacrilégios à língua portuguesa, os jovens eram capazes de tudo. Mas as autoridades andavam distraídas e agora aí está: já é o segundo a ser detido numa operação deste género. É melhor nem investigarem o que é que o Zé Maria anda a fazer…
Confesso que deve ter dado algum gozo à GNR deter o suspeito. Segundo os jornais aqui do burgo, o jovem era pasteleiro. Já se imagina, portanto, o Shôr Guarda a dizer: “Ah! Apanhado com as mãos na massa! Percebeste? Mãos na massa? Porque és pasteleiro? Sendo que massa é um sinónimo de dinheiro ou outros bens ilícitos no submundo do crime, ironias da linguística…. Agora vais fazer bolos para a prisão. Tem é cuidado com as bolas de Berlim. Percebeste? No sentido em que bolas de Berlim serve como analogia para os teus testículos. É que lá na prisão podem apertá-los e outras coisas que tais. Ah, e já te falei na regueifa? Não, então, ouve…”.
Deve ter sido o momento de glória do Shôr Guarda.
Não compreendo é o porquê de três pequenos pontos: primeiro, o secretismo de alguns jornais referentemente à personagem. Em outros casos, alguns bastante mais mediáticos, não enjeitam a oportunidade de atirar uma figura pública para a lama. Mas, neste caso não, sabemos apenas que foi “uma vedeta de tv”. O que me leva ao segundo ponto: o porquê de o referirem como “vedeta da TV” ou “vedeta de um reality show” sendo que ninguém o conhece e, perdoem me a crueldade, ninguém quer saber do pasteleiro do Big Brother. O terceiro ponto é que o José Eduardo Moniz já deve andar doido para fazer um novo reality show: “São dozes pessoas! fechadas no mesmo local 24 horas por dia! Não têm contacto com o exterior! Até porque estão, lá está, presos o que, assim à primeira vista, impede-os logo de saírem. Mas mesmo assim! Quem será expulso? Quem vencerá? Quem perderá a virgindade no banho? Não perca, brevemente, na sua estação. (apresentação a cargo de Carlos Cruz)”. Seria um sucesso.

sábado, julho 21, 2007

Os Professores, Esses Tangas

Segundo o Portugal Diário, uma docente que, devido a um cancro, perdeu um intestino e tem um saco colector na barriga onde lhe saem as fezes, foi impedida de se reformar, porque, e passo a citar “não reúne as condições necessárias”.
O título da notícia é: "Reforma só se estiver a morrer". Não querendo apontar erros factuais à docente, a verdade é que só assim nos últimos meses morreram dois professores a quem foi negada a reforma antecipada.
Penso que é óbvio que, para a junta médica, esta “docente” (se é que se pode usar este nome) é, no fundo, uma “baldas”, uma preguiçosa que não quer trabalhar. Alguma vez um cancro no intestino e um saco colector são razões para se aposentar? Claro que não, só alguém sem formação é que diria uma coisa dessas. A querer abusar da boa fé das juntas médicas...
Agora, ouso perguntar, quais são “as condições necessárias” para um professor reformar-se?
- Ora bem, o Prof Antunes está em coma, perdeu os dois braços e as duas pernas, e tem um duplo bypass e diabetes… Acho que podemos declará-lo incapaz de dar aulas…
- Mas oh Shotor, olhe que ele ainda consegue mexer a pálpebra esquerda…
- Ah sim?
- Veja lá.. – Espeta um pau no professor.
- Epá, tem toda a razão Shotor!
- Eu bem-lhe disse.
- Bom, sendo assim, penso que ele está apto para dar aulas. Ah, Prof. Antunes, seu preguiçoso, você queria era baldar-se.
- Também me quer parecer.
- Está óptimo. Com um bocado de treino em código morse, pode dar aulas apenas com o piscar do olho.
- Deve ser interessante para os alunos, obriga-os a pensar.
- Olha, ele está a piscar o olho Shotor, acho que está a querer comunicar.
- V-A-O S-E F-O-D… Não percebi o resto... Oh Prof. Antunes, vai ter que se esforçar um bocado mais homem. E não finja que está a ter paragens cardio-respiratórias porque nós aqui na junta médica não somos enganados por ninguém ahn?
- Shotor… Acho que o paciente faleceu, não há sinais vitais…
- Ah Shotor, olhe que isso é tudo fita, eu conheço os da laia dele.
(No funeral)
- Acho que nos enganámos, Shotor.
- Não diga isso Shotor, isto é tudo a fingir, vai ver que daqui a 5, 10 minutos, mais coisa menos coisa, ele sai do caixão. É tudo fita.
- …
E que tal anexar uma junta psiquiátrica à junta médica? Só para os avaliar. Se calhar é melhor não, acho que não há vagas suficientes nas alas de psiquiatria.

quinta-feira, julho 19, 2007

Está Quase

Bonitas declarações de Pedro Mantorras ontem às televisões nacionais. Enaltecia os seus colegas de ataque, elevava o Benfica, Mantorras não poupou elogios a ninguém. Contudo Mantorras, ao contrário do que ele tentou afirmar, não parte em pé de igualdade com os seus colegas. Por razões óbvias. Mas eu sou um grande fã do Pedro Mantorras. Ele deu-nos um campeonato se bem se recordam. Foi o que se pode chamar de ganhar um campeonato “com uma perna às costas”. Literalmente. .
Então e as alcunhas? Cardozo é o “Tacuara”, uma cana alta e forte. Se não jogar nada sempre pode servir para as tabelas e para tirar a bola quando fica na rede em cima da baliza. Já Bergessio tem como alcunha “Lavandina”, lixívia em bom português. Também tem futuro caso as coisas no relvado não lhe corram de feição, porque, parecendo que não, aquele rosa suja-se muito facilmente e o Nuno Gomes não vai querer andar com a camisola manchada. Coentrão é conhecido como o “Figo das Caxinas”, algo que suscita algum temor em mim... Esta época promete, está visto…
Bruno Tiago, do Sporting Clube de Braga, fracturou a tíbia e o perónio, ficando, por isso, arredado dos relvados praticamente até ao fim da época. João Pinto, instado a comentar, disse que foi impressionante, que parecia que lhe tinha saltado a bota. Fractura do perónio, sapatos desapertados, isto para quem tem a Marisa Cruz em casa não faz diferença nenhuma.
Ricardo lá foi para o Bétis de Sevilha, trocando os verdinhos pelos verdinhos. Os companheiros vão sentir a sua falta. Aquelas noites de canto coral não serão as mesmas sem aquele falsete delicado e afinado. Consta que as primeiras perguntas que Ricardo fez ao chegar a Sevilha foram “Como é que se diz Pato em castelhano?” E peru? E o Baía não devia ter ido ao Japão? Obrigado, quero dizer, gracias, gracias”.
O Atlético de Madrid insiste em Quaresma, mas o negócio cai por água abaixo porque o FC Porto insiste em tentar incluir Jesualdo no negócio. É compreensível.
E Sábado jogamos com o CLUJ. Tudo bem que é uma potência do futebol mundial, mas acho que temos algumas hipóteses.

quarta-feira, julho 18, 2007

VII

Faz quinze anos que andei no sétimo ano. Este “quinze” por extenso não é inoncente:15 anos é um número assustador. Parece que foi ontem.
Não sei porque é que dei por mim a pensar no meu sétimo ano, o pior (em termos de resultados) da minha vida escolar, mas dos mais ricos em vivências extracurriculares. Por exemplo, só no sétimo ano é que é possível ter três gajos com a alcunha de “Rato” na turma. Curiosamente, na parte feminina eram mais porcas. Não de alcunha, que as raparigas eram tratadas pelo nome, mas eram badalhocas mesmo. Daquelas que iam para a cave da escola mostrar os seios e cenas assim. E havia muito seio para mostrar, já no sétimo ano. Claro que a qualidade não é uma questão premente para um jovem dessa idade. Quando se dizia: “A Maria Francisca (nome fictício) mostrou-me as mamas!”, a resposta não era “E eram boas?”. Não. Isso da qualidade era pouco relevante. Eram seios? Se a resposta fosse positiva então éramos heróis por uns breves instantes. Claro que depois se tornou numa coisa tão banal que até o Rato (um qualquer deles, não me lembro qual) já nem sequer soltava uns fios de baba. O que é dizer muito. Claro que mesmo algo do calibre de uns seios, se perder um pouco do seu redondo encanto, dá logo lugar ao futebol. É assim a lei da vida. O futebol prevalece.
E no futebol também havia personagens memoráveis. O Gordo ia sempre à baliza. Qual Gordo, perguntam vocês? Qualquer um. Quando o vosso filho chegar a casa e disser que a alcunha dele é Gordo então, meus amigos, o seu destino está traçado: Será guarda-redes. Depois havia um Maria Alice (Se fosse hoje dia, seria Nuno Gomes…) que cada vez que conseguia colocar a bola no fundo da rede (vulgo golo) recriava o seu feito de todos os ângulos possíveis e imaginários, em super slow motion. Os jogos com ele eram sempre algo de épico.
Dos professores lembro-me pouco. Há, obviamente, uma professora que não me sai da cabeça. Era a professora de português. Era velha. E tinha uma certa apetência para passar as aulas a conversar sempre que acontecia fosse o que fosse na escola. Certo dia, antes de entrar, viu o Bocas e a Miss Piggy a “comerem-se à força toda” (termo científico utilizado pelo Gordo). A aula foi toda sobre isso. Que se lixe o Miguel Torga. Eles não se podem comer à força toda. Ah, e depois claro, sempre que via alguém a saltar do muro (que tinha seguramente mais de dois metros) contava sempre a história da rapariga que tinha saltado e se rasgou toda. Pelo meio. A partir da vagina. O mais curioso desta história, para além do seu carácter de mito urbano, é que a professora sempre que dizia “vagina” nasalava a voz e falava de modo quase imperceptível.
Foi a única professora que ousou mandar-me para a rua. Sacrista da velha. Já deve ter morrido, que Deus a tenha. Mas Deus que não ande a saltar muros senão depois tem de ouvir a história (nasalar voz) da “vagina”. Então não é que me mandou para a rua só porque atirei uma caneta ao Camões? Certamente não tenho culpa de ele, alem de ter usado uma pala no olho uns anos antes, não trazer o material adequado para uma sala de aula. Arma-se aqui o jovem em bom samaritano e depois tive de passar o resto da hora a jogar futebol sozinho. O que é altamente anti-pedagógico

terça-feira, julho 17, 2007

Sala de Chuto

Toda esta situação actual de um gajo não matar o vício de futebol causa-me uma tremenda infelicidade. Com a minha PS2 morta (mas não enterrada, nunca se sabe se ela ressuscita) não posso jogar PES6, condição essencial para o bem-estar do ser humano (foi cientificamente comprovado). Eu bem tento jogar PES6 no portátil da minha irmã, mas não é a mesma coisa. Não tem a mesma fluidez, e por muito jeitoso que seja o ecrã, não se compara a uma televisão de 80cm. Quando jogo PES6 no portátil da minha irmã sinto-me como aqueles agarrados que andam na metadona: até engana por uns momentos mas não é a mesma coisa.
E depois não há jogos do Benfica. É um crime. Já demos quatro aos luxemburgueses mais oito à potência futebolística que são os reformados do sindicato, e nada disto foi devidamente televisionado. Que país é este onde nós vivemos, meus amigos? Há pessoas que me dizem: “Então, tiveste os sub-21, depois os sub-20 e agora os sub-19”, ao que eu respondo que eu estou a falar de futebol, não de gajos vestidos com a camisola das quinas a viajarem para países estrangeiros e darem mau nome ao país. Claro que o Fábio Coentrão foi a excepção óbvia, mas, dado o clube que representa, acho que não é surpresa para ninguém.

segunda-feira, julho 09, 2007

Deturpação da verdade...ou mera loucura?

Ora bem, que as televisões, nos seus sites metam resumos bastante sugestivos para cada um dos seus programas, mesmo que seja um programa com pouca ou nenhuma qualidade, isso já se sabe. Que a TVCABO simplesmente faça uma cópia desses resumos para o seu serviço de TV digital já é de começar a fazer comichão.
Faz hoje uns dias, estava a fazer o denominado zapping, tendo a minha atenção sido centrada no Canal Memória, pois havia um programa que ia começar daqui a uns minutos e que se intitulava "MUNDO DESPORTIVO". Boa. Sedento de mais informação, fui consultar sobre o que versava o tal programa, e após a leitura, até me saltaram algumas das veias de emoção.
O resumo era este:
"O campeonato nacional está de volta, mas vocé pode rever todos os momentos de glória do futebol portugués, os golos que levantaram estádios, os jogos emocionantes, as jornadas que fizeram história! "
Ena, Ena, Ena!!!Vamos ter aqui futebol á séria, pensei eu! Sendo que seria no canal memória, poderia ser um jogo emocionante como os 7-1 dados pelo Sporting ao Benfica, ou assim, mas não quis levantar falsas esperanças!
Na segunda parte do resumo, vinha indicado qual o fabuloso jogo que iria assistir: "PORTUGAL vs MALTA". Quem?Humm?
Este pessoal da RTP sabe mesmo quais os melhores jogos, os que fizeram mesmo história...sobretudo um jogo contra o 123º da classificação da UEFA, em que devemos ter ganho por vários golos do Pauleta, e sobretudo jogo que deve ter produzido emoções bem fortes na assistência! Já agora, dava uma dica para outro jogo fabuloso, inesquecível mesmo: "PORTUGAL vs LIECHTENSTEIN", acho que foi em 1996 e ganhámos por 8 ou 9.
Isto sim é boa jogatana, daquelas que ninguem se esqueçe!

sábado, julho 07, 2007

7.7.07

Hoje é um dia mítico que ficará para sempre na história: O Sr. Jurista, essa verdadeira sétima maravilha do mundo moderno, completa 26 anos. Acho que também há o Live Earth e a Gala das Maravilhas, mas toda a gente sabe que essas mariquices são secundárias quando comparadas com o aniversário do Sr. Jurista.
Em termos de prendas de aniversário, consta que o Sporting está a tentar a todo o custo comprar Maxi Lopez para agradar ao Sr. Jurista, pois toda a gente sabe que ele gosta deles altos e louros. Os pontas-de-lança, obviamente.
No entanto, se alguém se dignar a oferecer uma PS3 eu fico à espera que o Sr. Jurista partilhe aqui com a população desta singela casa, pois há um certo défice em termos de simuladores futebolísticos por estas bandas. O que já se sabe, é mortífero na vida de um gajo. Não haver campeonato de futebol e não haver Pro Evo 6 dá cabo de qualquer um.
Muitos parabéns, Sr. Jurista.
Um grande bem-haja e cenas assim.

quarta-feira, julho 04, 2007

À Conquista Do Brasil

Este é um momento histórico para Portugal. Isto é, indubitavelmente, mais importante do que a presidência da União Europeia e essas mariquices relacionadas com política. Como se alguém estivesse preocupado com um referendo sobre o novo Tratado Constitucional… “Sim, sim, estou desempregado vai para mais de, deixa cá ver, muito tempo, mas agora com este referendo sobre o Tratado Constitucional Europeu a minha vida faz sentido novamente. Pena a minha mulher, que morreu porque as urgências estavam fechadas, não estar aqui hoje porque ela sim era mulher para ficar toda excitada com referendos…”.
O verdadeiro momento histórico é a aparição de um personagem português na famosa banda desenhada brasileira da Turma da Mónica. António Alfacinha de seu nome, terá na expressão “Ó Pá!” uma das suas imagens de marca. “Ó Pá!”? Mas ele é inspirado em quem, no Ricardo de Araújo Pereira? Já agora punham o gaiato a dizer “Ah e tal e não sei quê”.
Segundo o autor, a personagem portuguesa foi criada para que a BD “Espelhe a realidade brasileira.”: Tudo bem, é uma ideia interessante, e até aqui nada de particularmente estranho. Agora reparem nas outras personagens criadas: “Criámos Dorinha, a menina cega, Luca, o paraplégico em cadeira de rodas… vem aí uma menininha com Síndroma de Down” Cá está. A cega, o paraplégico, a menina com Síndrome de Down e… o Tuga.
Mauríco de Sousa até pode fazer uma história em que cura as crianças:
- Vejam pessoal, estou curada. Consigo Ver! – Diz Dorinha, a garota cega.
- Eu consigo andar! Oba! – Diz Luca, o paraplégico.
- Eu também tou curada gente! – Diz a garota com o Síndrome de Down.
- Ó pá! Ó pá! Eu… Eu… Hmmm… O pá, eu continuo tuga… F***-s*…
- Coitado… - Dizem os três em uníssono. – Vamos ter com a Magali e comer melancia!
Vai ser um sucesso este personagem novo.

quinta-feira, junho 28, 2007

Tesourinhos Deprimentes - Versão Benfica

A saga continua. Após o primeiro post dedicado aos "tesourinhos deprimentes" do F.C.Porto, e cumprindo a promessa que revelaria as minhas descobertas sobre os outros dois grandes (se bem que o meu Estoril-Praia tem tudo para chegar aos grandes) venho, desta vez, apresentar os nomes de algumas das chamadas pérolas, ou tão somente "contratações feitas por dirigentes de jogadores com pouca ou nenhuma qualidade, apenas e tão só para arrecadar a já famosa comissão" em relação ao Sport Lisboa e Benfica, vulgo SLB. O caso, de facto, não é para rir, apesar das conversas feitas em segredo de estado entre mim e o Sr. Bastonário acabarem sempre no descambar do riso e da chalaça fácil.
Jogadores prodigiosos, fintas fantásticas, remates espectaculares, técnica apurada e defesas do outro mundo...esqueçam lá isso, aqui não temos desses! Nos "putos" não gostamos do que é muito fácil, e por isso apresento desde já, os nomeados ao "Onze ideal" do Sport Lisboa e benfica, nomeação feita de forma totalitária, mas que poderá ser alvo de adicionamentos, se o calibre futebolistico assim o justificar:
- Clóvis
- Simanic
- King
- Paredão
- Marcelo
- Bermudez
- Tahar El Kalej
- Mauro Airez
- Paulão
- Ronaldo
- Minto
- Leónidas
- Taument
- Pringle
- Thomas
- Armando Sá
- Cabral
- Mawete Junior
- Pesaresi
- Bossio
- Uribe
- Okunowo
- Machairidis
- Steve Harkness e Paulo Almeida (os dois fazem 1 "mau jogador")
- Everson
- Marco Ferreira
Peço desculpas pois a lista contem mais de 11 jogadores, mas confesso, não consegui parar, e muitos ficaram de fora. Como puderam reparar, os nomes aqui referidos foram-no sem qualquer ordem especifica no terreno de jogo, mas tanbem ninguêm percebe, ainda hoje, se eles são mesmo jogadores de futebol ou não.
Mais uma vez, fica o repto aos nossos leitores: Alguém que saiba dizer em que posição jogaram alguns ou todos estes jogadores. quem souber todos, fica desde já a merecida vénia e, comprometemo-nos a oferecer algo a quem cometa tal proeza.

terça-feira, junho 26, 2007

Decálogo Dos Condutores

Aparentemente por causa do “Padre Tuner” de Santa Comba Dão, a A-CAM mandou uma missiva ao Papa Bento XVI para que este tomasse uma posição urgente e clara relativamente ao comportamento rodoviário agressivo, considerado o um grave pecado. O Vaticano fez-lhes a vontade, pois ninguém quer que a A-CAM se chateie.
Apresento assim, sem mais demoras, o Decálogo Dos Condutores:
I. Não matarás. – Pronto. Começam logo mal. Assim não dá. Não matarás, assim logo à maluca em primeiro lugar? Isso para o velhinho tuga, mestre do contra-mão não dá. Para o pessoal da 24 de Julho também não serve. Para o imigrante que vem no Opel Corsa 1.2, todo kitado, do Luxemburgo, a 200km/h também não dá. Para a tia que se maquilha em andamento também não serve.
II. A estrada seja para ti um instrumento de comunhão, não de danos mortais – Imagino que diversas pessoas estejam contentes com este mandamento, visto já ter presenciado algumas pessoas em “comunhão” durante o andamento. E ali para a zona do Guincho, à noite, também há muita gente em “comunhão”. Parados, mas em “comunhão”.
III. Cortesia, correcção e prudência ajudar-te-ão. – Nesta até rimam e tudo, talvez tenham pedido ajuda ao Sam The Kid, esse famoso católico.
IV. Sê caridoso e ajuda o próximo em necessidade, especialmente se for vítima de um acidente. – Cá está, já imagino os condutores que abrandam nos acidentes a dizerem ao Sr. Agente da autoridade: “Oh shôr Guarda, eu só tou a cumprir o quarto mandamento, shôr Guarda.” E os camionistas, que param e oferecem boleia às gajas que os atraem (basicamente todas...) estão apenas a querer ajudar a próxima. Isso da vítima de acidente depende do quão feias forem.
V. O automóvel não seja para ti expressão de poder, de domínio e ocasião de pecado. – Algo que vai ser fácil, especialmente para o pessoal dos Bentleys e dos Ferraris.
VI. Convence os jovens e os menos jovens a não conduzirem quando não estão em condições de o fazer. – Os jovens e os menos jovens? E que tal se dissessem logo “toda a gente?”. Quem é que redigiu isto? Talvez essa pessoa não estivesse em condições para tal. Essa é que é essa.
VII. Apoia as famílias das vítimas dos acidentes. – Mas nada de pensamentos pecaminosos com viúvas desesperadas e tal...
VIII. Procura conciliar a vítima e o automobilista agressor, para que possam viver a experiência libertadora do perdão. – Especialmente se forem seguradoras e por perdão queiram dizer aumento das prestações e coisas que tais dos raios dos seguros. Deveras libertador, liberta o dinheiro que é uma maravilha.
IX. Na estrada, tutela a parte mais fraca. – Ou seja, tem cuidado com as mulheres. Dá-lhes alguns metros de estrada só para elas, se possível liberta a faixa contrária e tudo. Nunca se sabe. Uma luz rotativa e uma sirene também são casos a ponderar.
X. Sente-te responsável pelos outros – Da próxima vez que vir uma loura em cima de uma rotunda dizendo “da outra vez isto não estava aqui” eu prometo que paro e me auto-flagelo.
A minha questão é a seguinte: Onde estão os verdadeiros pecados, as cenas mesmo importantes? Quer me parecer que andaram a brincar com isto. Assim, só por alto que isto não é coisa para me fazer pensar muito até porque me dói a cabeça, lembro-me, por exemplo, dos seguintes:
- Não usarás o CDzinho no retrovisor.
- Não terás o cão de porcelana junto ao vidro de trás.
- Não porás o colete no banco.
- Não colocarás lenços bimbos no encosto da cabeça.
- Não usarás insignias como GT ou Turbo indiscriminadamente.
- Não passarás o traço continuo ali na bomba de gasolina como quem vai para o Cascaishopping porque essa m**** é irritante, f***-**.
- Não blasfemarás ao volante (a não ser que vás a ouvir o Benfica na rádio e o Fernando Santos faça das suas).
São só alguns exemplos para demonstrar que o Vaticano poderia ter estado mais atento.
Para terminar, queria apenas mandar um abraço para os nossos leitores de Santa Comba Dão. Que bela terra. É Serial Killer, é Padre Tuner, Santa Comba Dão é um mundo. Um grande bem-haja para essa bonita localidade.

quarta-feira, junho 20, 2007

Chegou o Fim

Tudo na vida tem um fim. Uma pessoa partilha horas e horas da sua vida, e depois, um dia, tudo termina. As coisas já não encaixam da mesma maneira, já não há as mesmas reacções. Deixa-se de despender tanto tempo em actividades conjuntas, porque não é a mesma coisa… E assim, apesar de não ter sido a primeira (era a quarta…) foi porventura a mais amada. Era tão pequenina, tão frágil… Mas ao mesmo tempo, tinha uma força interior insuperável… Admito, confesso, já andava há uns meses a olhar para outras e… Desde Dezembro, mais precisamente desde o Natal, que não era a única na minha vida. Não fico contente por afirmar isto, aliás, dói-me o coração só de proferir estas palavras. Será que foi por isso que partiste? Sabias que havia outra, que o meu coração e as minhas mãos estavam divididas? Partilhávamos tanta coisa... Desde aquelas músicas, até ao futebol... Foram dois bons anos… Especialmente quando a partilhava, naquelas longas noites de Sábado em que não podia ficar com ela só para mim, com o Sr. Jurista…
Adeus, PS2…

Bom, a vida continua e tal, nada impede que agora seja o Sr. Jurista a levar a dele... E, além do mais, não consigo parar de olhar para isto:

Olá jeitosa... 599,99€ separam-me de ti. Espera, tenho 1€ no bolso. 598,99€ separam-me de ti. Se quiserem consolar esta alma infeliz, mandei os vossos donativos.
Obrigado. Eu vou conseguir ultrapassar isto.



terça-feira, junho 19, 2007

Lethal Dose, 4%

Aparentemente, e tendo como barómetro o nosso fiel amigo Statcounter, o novo ídolo dos nossos visitantes é Miguel Veloso, perseguido de perto por Ruth Marlene. Mas, atenção, por Ruth Marlene nua, porque só a Ruth Marlene vestida não chega para encantar o nosso público. Pois é, com pesquisas desde Miguel Veloso biografia até à minha preferida, Miguel Veloso: Penteados, a busca pelo novo prodígio do Sporting é avassaladora. Aconselho vivamente a não fazerem esta última pesquisa, sob risco de o vosso browser empancar (é o termo técnico) devido à quantidade massiva de penteados encontrados.
Claro, depois há aquelas pesquisas dos penes gigantes e coisas que tais mas nós já nem ligamos a isso.
Outro dado curioso é a duração das visitas: oitenta por cento dos visitantes está aqui entre zero a cinco segundos. É o suficiente para ver que não há Ruth, Miguel Veloso, ou qualquer tipo de mamas, fios-dentais ou penes gigantes. Imagino a reacção de um individuo que, atraiçoado pelo nosso título enganador, abre este site na esperança de ver mamas boas: "Ena pá, vou ver umas mamas e tal, e uns mamilos e… Que é isto?! Texto! Palavras! ALT+F4! Fecha-me já isto antes que alguém veja e ainda pense que sou um tarado a caraças, a ler na Internet…".
Depois há os verdadeiros visitantes (que, serão dois ou três…) que ficam até cinco minutos no site. Lá está, dá para ler, para dizer mal, para procurar algum link para sair daqui. Mas dá para alguma coisa. Estes são os que interessam verdadeiramente. Para vocês, um grande bem-haja, em meu nome e do Sr. Jurista.
Mas, é no último extracto que residem os visitantes mais curiosos. Cerca de quatro por cento dos visitantes fica a ver o site mais de uma hora. Das duas, uma: ou é alguém que liga o site no trabalho e vai dar umas voltas e depois volta ao fim do dia para desligar; ou então, e quer-me parecer bem mais viável esta segunda conjectura, quatro em cada cem pessoas que abre este blog morre logo ali, na cadeira do computador. Pensando bem, e lendo o que escrevemos para trás, não vejo qualquer dificuldade em ser a mais pura realidade.

segunda-feira, junho 18, 2007

Não Há a Segunda Hora!

Para o jovem adolescente português existem poucos acontecimentos do calibre de não haver aulas. Do mesmo nível, e recorrendo à minha apuradíssima memória, apenas se inclui o vislumbre de uns seios desnudos (e não, a vossa mãe não conta) ou a ida de alguém para o hospital ou algo que envolva uma ambulância na escola (especialmente, lá está, se por causa disso não houver aulas a seguir).
Antigamente não havia estas mariquices das aulas de substituição e ocupação de tempos livres ou lá o que é. Não vinha mal ao mundo haver vinte ou trinta putos à solta no recreio durante uma ou duas horas. Quanto ao funcionamento das restantes aulas, tinha dias. Recordo-me perfeitamente quando deu aquele programa que tinha um senhor calvo que se agachava como se estivesse no duche da prisão, enquanto gritava “PONHA PONHA PONHA!”, havia lá um puto que imitava isso na perfeição. Era interessante, estarmos nós, numa aula, atentos às questões estruturais e conjunturais que levaram a qualquer coisa num qualquer período de história e ouvir-se, nitidamente, alguém a gritar “PONHA PONHA PONHA!”.
O motivo para não haver aulas era, sem sombra de dúvidas, pouco ou nada importante. Lembro-me também, por entre as brumas da memória, de uma vez em que não tive aulas porque, ao que parece, tinha morrido a irmã da professora. Os aplausos por não haver aulas cessaram durante três, quatro segundos. Houve um ou dois olhares mais piedosos. Mas depois um grito de “o último a chegar ao campo vai à baliza!” pôs logo toda a gente a mexer. Se há coisa que consegue desmobilizar uma multidão é o grito de “o último a chegar vai à baliza!”. Toda a gente sabe que ir à baliza é para os gordos, péssimos jogadores ou pessoas que nós temos um palpite que gostam de bolas.
Voltando ao não haver aulas, uma das vezes que mais gozo deu à minha turma não ter aulas foi quando a aula de Educação Física, mais precisamente a segunda hora, foi cancelada. A única vez que vi putos de treze anos tão contentes foi na Oprah, quando ela andou a dar ténis aos putos da África do Sul. Têm as prioridades todas trocadas, os putos. Parece que foi hoje: estávamos a correr à volta da escola, a treinar para o “corta-mato”, quando aparece um puto qualquer, todo desgrenhado, a gritar: “Parem! Parem!”. Nós parámos, afinal de contas, acho que ninguém gostava do corta-mato. Já estávamos felizes só com a parte do parar, mas quando ele diz, e passo a citar: “Não há a segunda hora! O Mamas apalpou a Ana Sofia!”, foi a loucura total. Houve festejos como se tivéssemos ganho o Mundial. Não sabia quem era o Mamas, mas naquela altura pareceu-nos um herói. Ainda bem que não tivemos a segunda hora de física. Assim pudemos ir jogar futebol.
Nesses furos deram-se grandes clássicos do futebol juvenil da última década do século passado, sem sombra de dúvidas. Aqueles embates entre o nono e o oitavo ano ficarão para a história. Porque nos anos anteriores, por sermos mais novos, tínhamos de jogar num local chamado “a cave”, que era um local mal iluminado, com um distinto cheiro a urina e onde as rameiras iam mostrar os recém nascidos pelos púbicos aos rapazes mais aventureiros. No campo grande, era uma hora do melhor futebol que nós tínhamos visto, o que, para quem no máximo catorze anos (sem contar com aqueles gajos, com alcunhas tipo Pele, que tinham no mínimo dezanove e andavam no sétimo ano) não se viu assim tanto futebol.
O que me deixa perplexo é como é que, nessas idades, fazíamos um jogo de futebol mesmo no intervalo pequeno. Eram apenas cinco minutos, mas dava para organizar duas equipas, jogar, marcar uns golitos e voltar para a sala de aula. O futebol tem a capacidade de alterar o tempo-espaço a seu belo prazer, não haja dúvidas disso.
Ligando o futebol e o não haver aulas com uma precisão e um timing a roçar a perfeição, lembro-me também de não haver aulas porque uma baliza caiu em cima de um símio qualquer que, estando à baliza (e, claro está, não sendo gordo) se decidiu pendurar nela. Caiu em cima dele, ainda por cima era daquelas de ferro, pesaditas. Também não tivemos aulas a seguir. Ficámos todos com uma enorme vontade de levar em ombros este novo herói. Claro que com as fracturas não dava jeito para ele, mas foi a vontade que tivemos.

quinta-feira, junho 14, 2007

Teenagers Scare The Living Shit Out Of Me

O casamento é algo extremamente puro, para muitos é, efectivamente, uma das maiores instituições da nossa sociedade ocidental. A conversa que tive com a minha esposa, de manhã, testemunha mesmo isso:
- Porque é que casaste comigo? - Pergunto eu.
- Porque te amo...
- (pausa de cinco segundos) Sabias que prai até ao 7º ano eu queria ir sempre de fato-de-treino para a escola?
- Porque é que só me contaste isso agora?
- ...
Cá está, toda a beleza do sagrado matrimónio. Num momento expressa-se um bonito e profundo amor, no outro há um repúdio pelo passado do cônjuge. O que vale é que omiti a parte dos remendos nos cotovelos e nos joelhos.
Ser um jovem adolescente do início dos anos 90 era muito bom. Desde os moshs até à tão balada ida ao poste, a vida do adolescente tuga era repleta de aventura e fascínio. Felizmente nunca me calhou a sina da ida ao poste (a minha filha é prova disso, aqui funciona tudo bem, obrigado), mas recordo-me da agonia dos meus colegas, quando levados até à vertical besta. E depois havia aquele temido corredor onde se distribuiam uns valentes calduços, ainda me lembro de ver colegas (que eu julgava serem valentes, quer por terem demonstrado serem destemidos no jogo da "Maria", ou por comerem gafanhotos, o normal naquelas idades) lavados em lágrimas. Impressionava qualquer um.
Outras sevícias incluiam a roda muda, que acabava inevitavelmente com o gajo do meio a levar mocada de tudo e todos, e aquele mítico evento que era o lá-vai-alho, que é algo que ainda hoje só duas ou três mentes iluminadas conseguem perceber para que serve. Mais uma vez isto acabava com metade do pessoal no chão, levando aos inevitáveis moshs, e depois à levada ao poste de um ou outro coitado que ficasse prostrado no chão.
Onde é que quero chegar? Não sei bem. Mas a verdade é que a vida de adolescente de início dos anos 90 me preparou, e de que maneira, para o casamento. E para a guerrilha urbana. O que, no fundo, é basicamente indistinto.

quarta-feira, junho 13, 2007

Conversa de Futebol Com a Esposa

Sentados à mesa, a ver o telejornal, não consegui evitar umas palavras jocosas relativamente ao novo reforço (?) do Sporting, Gladstone. A minha esposa, apesar de benfiquista e sócia há 25 anos, não gostou.
- Estás a gozar porquê? Ele jogou na Juventus!
- Define "jogar".
O Secretário também "jogou" no Real Madrid. E toda a gente sabe o quão bom ele era. Isso do "jogar" tem muito que se lhe diga. Olhem quando o Beto for para um clube qualquer (que devia receber, e não pagar, uma verba pelos direitos desportivos e de imagem dele. Sim, de imagem, porque aquela carapinha louora pode valer milhões em marketing) eles vão dizer "Ena pá, ele jogou no Benfica." Cá está.